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Aos adultos, impõe-se conhecer quem é o jogador de minibasquete, quais são as suas capacidades e as suas limitações, as suas necessidades e as suas fantasias.

O jogador de minibasquete é uma criança, cuja a idade se situa entre os 6 e os 12 anos, sendo por isso, facilmente, caracterizável em relação a algumas faculdades psíquicas e biológicas, bem como em alguns vectores da sua experiência social.

O minibasquete deve ser entendido como, essencialmente, um jogo com bola para crianças. Esta filosofia, por outro lado, deve valorizar o jogo infantil, isto é, incluir prazer, divertimento e aventura.

O minibasquete é a primeira fase do jogo de basquetebol. Durante os últimos anos, o minibasquete, provou ser o método mais adequado para a introdução do basquetebol para criança com idades compreendidas entre os 7/9 anos e 10/12 anos.

Desta forma iremos abordar qual a importância, os objectivos e a sua história.  

 

1. A IMPORTÂNCIA DO MINIBASQUETE

De acordo com Fraga (1990), todos os especialistas no ensino nestas idades consideram fundamental para o crescimento e desenvolvimento da modalidade, captar e atrair o interesse de um grande número de crianças para a modalidade e ensinar-lhes os fundamentos técnicos e tácticos uma vez que:  

- Nas idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos, já é possível a aprendizagem dos elementos básicos do basquetebol e aprender com facilidade os elementos técnicos fundamentais.  

- Dada a dificuldade de aprendizagem rápida do minibasquete, é fundamental atrair mais cedo possível o interesse das crianças, em comparação com outras modalidades colectivas.  

- As crianças que desde cedo descobrem e aprendem a apreciar o mundo do basquetebol, com experiências marcantes, gostarão durante toda a vida desta modalidade, qualquer que seja a sua função, quer seja como atletas, árbitros, treinadores, animadores ou espectadores.  

- As crianças gostam e necessitam de jogar. Com o minibasquete é possível um jogo parecido ao basquetebol, desde o início da actividade. Com os métodos mais indicados poder-se-á conjugar o ensino dos elementos técnicos e do jogo de uma forma alegre.  

- Nas idades dos 7 aos 12 anos, não há qualquer inconveniente em iniciar a prática das actividades ligadas ao basquetebol, quando utilizada a metodologia própria.  

- Nestas idades ainda não são evidentes grandes diferenças entre os meninos e as meninas, por isso, os métodos de ensino devem ser iguais e é possível a realização de treino e jogos mistos sem qualquer inconveniente.  

O minibasquete é a primeira aproximação ao basquetebol, sendo desta forma o método que as crianças mais apreciam para a sua introdução e o primeiro passo para a familiarização com esta especialidade.  

 

2. OBJECTIVOS DO MINIBASQUETE

Segundo o nosso ponto de vista, os objectivos fundamentais do minibasquete são: (a) Chamar a atenção das crianças para o basquetebol e motiva-las para o treino e jogo regulares; (b) Familiarizar as crianças com a bola e ensinar-lhes os elementos fundamentais técnicos e tácticos, (c) Proporcionar o prazer e o divertimento no jogo, (d) Proporcionar às crianças uma formação rica, global e diversificada, em todos os planos, através de experiências que favoreçam o máximo de conhecimento sobre o conteúdo e a estrutura de modalidades desportivas sob formas adequadamente simplificadas, e (e) Evitar qualquer tentativa de especialização precoce nestas idades.  

 

3. ORIGEM DO MINIBASQUETE

 

3.1. A nível Internacional

A criação do minibasquete deve-se ao Professor de Educação Física Jay Archer, que o concebeu, em 1950, nos Estados Unidos da América, seu país de origem, com a denominação de Biddy Basket-ball. A sua criação obedeceu ao princípio, das crianças de ambos os sexos, poderem jogar e divertir-se, sem demasiado esforço.

Neste sentido, foi concebido para rapazes e raparigas até aos doze (12) e treze (13) anos, respectivamente. O minibasquete é como que a ponte de acesso mais fácil ao basquetebol, praticado no escalão etário seguinte.

A sua expansão excedeu quanto se podia imaginar e evidencia que ao basquetebol lhe faltava este complemento.

No ano seguinte ao da sua criação é já praticado em todos os Estados que compõem a América do Norte, incluindo o Canadá, onde é introduzido nesse ano, tal como em Porto Rico. centros, de tentativas, fogachos, por lhes haver faltado o apoio de quem lhes cumpria ampará-lo e divulgá-lo.

O Minibasquete, entre nós, tem sido, portanto, como o fogo-fátuo, apenas emanações espontâneas, sem sequência.  

 

3.2. A Nível Europeu

À Europa chega através da Espanha, com a designação de Mini-basket. As primeiras notícias são introduzidas pela revista Rebote, em Fevereiro de 1962.

Na Federação Espanhola de Basquetebol o vice-presidente Anselmo López Martins propôs-se lançar uma campanha de expansão e divulgação ao alcance de todas as crianças espanholas. Assim aparece a chamada “Operação 100 mil”, número que viria a ser alcançado na época de 1968-1969.

Depois da Espanha segue-se a Itália, a França, a Alemanha, a Suiça e a Bélgica.

Em Portugal, em 1961, o “Plano de Trabalhos” para o ano seguinte, apresentado à Delegação Geral dos desportos (DGD), pela Federação previa, formas recreativas do jogo, para as crianças, sob conselho técnico federativo, a admitir, se lhe fossem concedidos meios para o executar. Mas só em 1963, lhe é possibilitado promover no Instituto Nacional de Educação Física (INEF) um Curso de Férias, sob a orientação do professor José Esteves, já ao serviço da Federação, em que nele se integrava o “Basquetebol Simplificado”, forma que este professor defendida como mais acessível à aprendizagem de alunos de classe infantil primária, em substituição do Minibasquete, de regras mais complexas.

Concretamente como Minibasquete, pode dizer-se que a sua introdução em território português, se fez na cidade da Beira, em Moçambique, através da Associação Distrital de Manica e Sofala, filiada na Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB), pela mão de Cremildo Pereira, um devotado à causa. Foi ele que, naquela Associação, no ano de 1964, com a colaboração de um Regulamento de Provas e a adaptação ao português das Regras do Minibasquete, publicados em duas brochuras, deu ali início à sua prática.

Na Metrópole e em Lisboa é o Professor Mário Lemos que lhe dá inicio, em 1966, integrando o Minibasquete nos Campeonatos internos do Colégio Militar, para as finais dos quais foi convidado o presidente da Federação, que ofereceu às equipas finalistas, medalhas comemorativas.

Neste mesmo ano, no Porto, o Professor Eduardo Nunes, como técnico Regional do Norte, colaborando com a Associação de Basquetebol do Porto, lança as bases de uma obra, que esta Associação, com a colaboração de umas tantas dedicações, desenvolve, fazendo com que o Minibasquete atinja, no Porto o maior relevo. Seguem-se-lhe, em 1967, outros centros, como Coimbra, São João da Madeira, Barreiro, Aveiro e Seixal.

Com a excepção do Porto, o Minibasquete nunca teve a implantação de desejada. Nunca se cimentou a nível nacional, não passando os demais centros, de tentativas, fogachos, por lhes haver faltado o apoio de quem lhes cumpria ampará-lo e divulgá-lo.

O Minibasquete, entre nós, tem sido, portanto, como o fogo-fátuo, apenas emanações espontâneas, sem sequência.  

 

3.3. A nível Nacional

Poderá dizer-se que o minibasquete em Portugal foi implantado quase simultaneamente em Lisboa e no Porto, como já foi referido, visto que as iniciativas, em ambas cidades, se deram na mesma época, 1965-1966.

Em Lisboa, a primeira, de outras tantas tentativas que se lhes seguiram, hoje uma, amanhã outra, tudo sem continuidade, deu-se em Maio de 1966, no Colégio Militar, com a presença de altas individualidades militares, entre elas o Director do Colégio, num festival de iniciação desportiva. O fomentador da modalidade naquele centro de preparação militar foi o Professor Mário Lemos.

Duas equipas formadas por alunos dos segundos e terceiros anos exibiram-se pela primeira vez, de forma oficiosa, na Metrópole. O Professor Carlos Alberto Gonçalves dirigiu a exibição.

Por sua vez, no Porto, esta iniciativa foi catalizada pelo Professor Eduardo Nunes, sendo a DGD nomeada para orientar as acções de fomento no Norte do País, sendo esta também responsável por apoiar a respectiva Associação, portanto na época de 1965-1966.

Apoiados pela DGD, a sua remuneração era por conta da verba do Fundo de Fomento do Desporto, consignada à Federação mas administrada por aquela Direcção-Geral, que procura levar, e consegue, a modalidade às escolas primárias, através da orientação e instrução de alguns monitores nacionais oriundos dos cursos federativos, sendo atribuído a cada um deles a responsabilidade do ensino numa escola.

Nesse primeiro ano de 1966, realiza-se o 1º Campeonato Regional de Minibasquete do Porto. Esta foi a primeira competição oficial de Minibasquete disputada no País, visto que se realizou sob a égide da Associação de Basquetebol do Porto.

A toda a gente moveu interesse e moveria em todos os demais centros populacionais de Norte a Sul do País. Mas para tanto, seriam necessários orientadores remunerados tal como foi o Professor Eduardo Nunes, e neste sentido foi criado um órgão subjacente à Associação do Porto, designado por “Núcleo Associativo de Minibasquete da ABP”, inicialmente orientada pelo Professor Eduardo Nunes. Os propósitos essenciais do Núcleo eram a educação e formação desportiva dos jovens.

Em 1966-1967, elaboram o seguinte “Regulamento do Campeonato de Minibasquete”:  

- Podem inscrever-se para disputar todas as equipas em representação de Escolas (primárias e secundárias), clubes desportivos, clubes recreativos e outros que manifestem interesse.  

- As equipas serão constituídas por um mínimo de cinco jogadores e um máximo de dez.  

- O sistema nas duas categorias A e B será por pontos a uma volta.  

- No caso de empate entre duas equipas, o desempate far-se-á, considerando a pontuação, subindo na classificação a equipa que menos pontos tenha sofrido em toda a competição.  

 

Com o passar do tempo o Minibasquete foi caindo no esquecimento e os eventos foram muito ocasionais.

Em Março de 2000 o Comité Nacional de Minibasquete foi reactivado pela Federação Nacional de Basquetebol.

 

 

 

Texto retirado na integra do site da Federação Portuguesa de Basquetebol, em www.fpb.pt.

Breve história do minibasquete em Portugal elaborada pela Sónia Costa, membro do CDMB da AB de Vila Real e monitora no V Jamboree do CNMB que decorreu em Vila Pouca de Aguiar.

 

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